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20 abril 2011

Nem todo presente é bem-vindo

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Na semana passada quando assisti Elefante (EUA, 2003 – Direção de Gus Van Sant) várias coisas me passaram pela cabeça. O ritmo lento do filme e os retalhos que são apresentados e que formam uma colcha após os 81 minutos do longa nos dão um bom tempo para reflexão.

A escola é uma das poucas instituições pelas quais todas as pessoas passarão um dia e durante a mesma fase da vida. Não importa quais sejam os lugares, cidades ou estruturas, o sentimento em relação ao termo ‘escola’ traz sempre muitas lembranças (boas ou ruins).

Deu pra reconhecer rostos familiares em cada um daqueles grupinhos apresentados: das minhas amigas que levavam estojos de maquiagens para as salas de aula ainda na pré-adolescência à nerd, que no meu caso era um menino a quem eu chamava carinhosamente de Watson, em referência ao companheiro do mais famoso detetive da literatura inglesa.

O filme deixa explícito o que muitos pedagogos tentam explicar aos pais que querem alfabetizar seus filhos em casa: na escola eles não aprenderão apenas Português, Matemática ou Ciências Sociais, mas também, e principalmente, aprenderão a conviver em sociedade e a respeitar regras.

Os conflitos sociais e psicológicos começam a surgir, no filme e na vida, quando alguns alunos percebem que além da instituição eles também podem estabelecer, paralelamente, as suas regras. Assim são formados os grupinhos, panelinhas e irmandades. Quando alguém não se encaixa em alguma delas, sente-se rejeitado pelo meio e é esta a principal questão que dá razão ao filme.

Foi essa sensação que levou os dois meninos a planejarem e executarem assassinatos em massa no colégio onde estudavam. Um presente incômodo e indesejado às pessoas que os rejeitaram a vida toda. Uma coisa enorme e incomum que não serviu para nada, porque matar as pessoas não apagou as lembranças das palavras e gestos de rejeição um dia sofridos. O ato foi um elefante. Branco.
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02 outubro 2010

Voto de protesto: contra o quê?

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A cada eleição cresce o número de candidatos conhecidos pela população, mas de ambientes muito distintos da política. São cantores, atores, jogadores de futebol, dançarinas e até humoristas, que surgem tentando uma vaga em uma área que profissionalmente desconhecem.

Discutir política no Brasil, um pais que comprou a sua independência e que dá mais valor ao Carnaval do que à educação, é complicado. O voto é obrigatório e grande parte do eleitorado não enxerga uma relação direta entre o que escolhe nas urnas e uma melhoria efetiva em sua qualidade de vida.

Mesmo entre quem possui um grau aceitável de instrução é difícil encontrar alguém que saiba detalhadamente quais as obrigações e a área de atuação de um político, sobretudo no âmbito legislativo. Assim, o que chega ao conhecimento do público são apenas os escândalos que são noticiados pela imprensa. Os projetos de lei, de emendas parlamentares e sanções discutidos diariamente na Câmara e no Senado, raramente vêm a público.

“Nenhum político presta” e “Eles só pensam em dinheiro” são frases amplamente repetidas, principalmente em época de eleições. Mas mesmo que essa generalização fosse verdade, protestar votando em uma pessoa despreparada chega a ser um contra-senso, pois por mais boa vontade que se tenha, o que a levou a essa aventura? É utópico pensar que algum dos candidatos famosos esteja lutando por um Brasil melhor e não atrás do salário e benefícios que a vida pública traz e que não são poucos.

Embora qualquer cidadão, brasileiro e maior de idade, possa se candidatar, isso não garante que ele saiba o que fazer quando eleito. Os “políticos de carteirinha” pelo menos possuem experiência e formação teórica especifica para exercer o cargo ao qual estão, mais uma vez, concorrendo.
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11 setembro 2010

Edy é Star

Com plumas, paetês, lantejoulas e muita animação,
cantor baiano continua brilhando aos 72 anos

No palco, com o 3º figurino
    Ele nasceu Edivaldo Sousa, na Bahia, em 10 de janeiro de 1938. Hoje, aos 72 anos, é reconhecido internacionalmente como Edy Star, cantor, ator, dançarino, produtor e artista plástico. Sua carreira polivalente teve início nos anos 1960 no seu estado natal. Mesmo local onde conheceu Raul Seixas, amigo que também admirava Elvis Presley e com quem, anos mais tarde, e com mais dois amigos, gravaria o épico LP: “Sociedade da Grã Ordem Kavernista apresenta: Sessão das dez”.
  
Em 2010, de volta ao Brasil após 15 anos vivendo na Espanha, Edy Star é ovacionado pelos fãs de carteirinha de Raul Seixas. Sua apresentação na Virada Cultural 2009 foi considerada a melhor do palco “Toca Raul”, fato que lhe rendeu convite para repetir a apresentação em 2010. Edy voltou então ao Brasil e pretende continuar por aqui, morando em São Paulo: “Se Raul conseguiu, eu também consigo”, brinca.
 
No último sábado, ele se apresentou na Galeria Olido, no centro da cidade. No mesmo formato do show executado na Virada Cultural 2010: “Sociedade Kavernista Toca Raul”, ele é acompanhado pela banda “Caverna Guitar Band”, duas back vocals e pelo baixista Lu Stopa.
  
Com a platéia lotada, sobretudo por fãs de Raul Seixas que idolatram também Edy por ele ser o “último kavernista” vivo, o show começou sem ele no palco, e após a execução de uma música na voz do guitarrista Caverna, as luzes do teatro iluminaram a platéia e lá, com microfone na mão, cabelos negros encaracolados esvoaçantes e com um lenço no pescoço, vemos a estrela: o show começou.
  
Após recitar: “Todo jornal que eu leio, me diz que a gente já era, que já não é mais primavera”, trecho de Baby, música que Raul gravou no fim dos anos 1980, Star corre em direção ao palco e se joga, rolando pelo tablado.
  
Edy se movimenta pelo palco com a segurança de quem sabe o que está fazendo. Durante o espetáculo muitas vezes o ator se sobressai ao cantor e entre uma música e outra deixa os outros músicos sozinhos no palco animando a platéia, enquanto vai ao camarim trocar de roupa para o próximo ato.
  
O lenço com camiseta preta básica é trocado por um terno cinza bordado com lantejoulas brilhantes na gola. Ele agora é um boêmio e canta a seresta que dá nome ao LP famoso “Sessão das Dez”, com direito a performances efusivas e elucidativas.
  
Então, Edy transforma-se no “Moleque Maravilho” citado na próxima música que interpreta. De All Star, calça jeans e camiseta preta de um Fã Clube do Raul, mas sem tirar os colares e pulseiras de strass brilhantes, ele rejuvenesce meio século e vira um adolescente aos olhos da platéia animada.
  
Outras duas camisetas com estampas do Raul seriam utilizadas ainda naquela noite, além de uma camisa de flanela cinza e preta doada a ele pela esposa do cantor e compositor Zé Rodrix, falecido no ano passado, com a qual Edy interpretou “Jesus numa moto”, em sua homenagem.
  
O ato final é marcado por um Edy ainda mais animado e festivo. Com uma blusa de paetês pretos e uma capa branca com o símbolo da Sociedade Alternativa, ele desliza pelo palco feito um super herói, agradece aos presentes, aos músicos e a casa.
 
Após o show, não há segurança nem restrições para entrar em seu camarim. Lá, mesmo cansado e ainda trocando de roupa, ele recebe os fãs, em sua maioria já conhecidos e até já considerados amigos. Atende pacientemente a todos os pedidos de fotos, brinca com os presentes, abraça um menino e diz que vai levá-lo para a Espanha e apresentá-lo como seu noivo: “Lá na Espanha não falamos namorado, dizemos que é nosso ‘noivo’”, brinca o bem humorado cantor baiano.
 
A noite dele só terminaria horas mais tarde, em um bar ali mesmo no centro da cidade, numa mesa com as mesmas pessoas que participaram do show, mas agora sem distinções entre público e platéia. Assim como um rei que nunca perde a majestade, Edy é numa estrela que nunca deixará de brilhar.

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28 agosto 2010

Raul não morreu

Vinte e um anos após a sua morte, Raul Seixas ainda mobiliza multidões

Cerca de duas mil pessoas participaram na tarde deste sábado, 21 de agosto, da passeata que percorreu a distância entre o Theatro Municipal e a Praça da Sé, em homenagem aos 21 anos da morte do cantor e compositor baiano Raul Seixas. Conhecida como “Passeata Raul Seixas”, o evento acontece desde 1990 no dia da morte do cantor e percorre tradicionalmente o mesmo trajeto no centro da cidade de São Paulo. 

Na manhã de sábado, muitos fãs já se concentravam em frente ao Theatro Municipal onde foi iniciado o consumo de bebidas alcoólicas e os primeiros acordes e gritos de “Toca Raul” já puderam ser ouvidos.

Às 18h, a multidão que se formou ao longo do dia seguiu rumo à Praça da Sé, atrás de um triciclo gigantesco, uma espécie de mini trioelétrico, pertencente a um dos principais covers de Raul, Penna Seixas, que durante todo o percurso dublou as músicas irradiadas pelos alto-falantes.

O público presente era heterogêneo. Fãs que acompanharam o trabalho do ídolo desde os primeiros discos misturam-se com adolescente nascidos após a sua morte. Além disso, o público do cantor não é composto apenas de “malucos-beleza”, entre camisetas pretas estampadas com o símbolo da Sociedade Alternativa, letras de músicas e fotos de Raulzito, é possível encontrar homens vestidos com roupas quase sociais e mulheres com trajes finos.

Opinião unânime entre os participantes: ser fã de Raul Seixas difere da idolatria por outros artistas. “As passeatas do Raul são incríveis. Não tem como descrever a sensação. Que outro artista consegue fazer isso?”, comenta Guilhernina Santos, 33, observando a multidão aglomerada em frente à Catedral da Sé, entre a música alta e gritos de “Raul! Raul! Raul!”

Outros gritos são ecoados durante a passeata, desde os tradicionais “Viva a Sociedade Alternativa” e “Toca Raul” até mensagens pouco elogiosas ao prefeito da cidade. O orgulho de estar fazendo aquilo em homenagem a um ídolo é perceptível e frases como “É Raullllll!” e “Isso aqui é só uma vez por ano” podem ser ouvidas em vários grupinhos.

Em meio à multidão, e sem destaque nenhum, estão as principais estrelas do universo raulseixista: Sylvio Passos, 46, paulistano que conviveu com Raul durante os últimos anos de sua vida e fundou do Raul Rock Club e Edy Star, 63, baiano que junto com Raul e outros três amigos gravou o LP Sociedade da Grã Ordem Kavernista apresenta: sessão das dez.

Com o passar das horas, a multidão vai dispersando-se. Rodinhas de amigos formam-se, cada uma com seus próprios violões, garrafas de vinho e latinhas de cerveja e máquinas fotográficas.

Entre as várias faixas e bandeiras expostas, uma dizia: “Eu vou-me embora apostando em vocês”. Trata-se de um trecho da música A geração da Luz, que traduz o espírito dos que participaram da passeata: dar continuidade a obra de Raul Seixas.
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25 agosto 2010

 O Guardião do Baú
Sylvio Passos, amigo e fundador do fã-clube oficial
de Raul Seixas, dedica sua vida a preservação da memória do ídolo

“As coisas do Raul sozinhas não fazem nada”. É com esse pensamento que o paulistano Sylvio Passos dedica a sua vida à conservação e promoção da obra do baiano Raul Santos Seixas. Sobrevive com o seu trabalho como produtor, o que lhe absorve integralmente o tempo, e não traz o retorno financeiro estimado por quem o observa lidando com a obra do pai do rock brasileiro.

Aos 17 anos, Sylvio Passos era apenas mais um fã de Raul Seixas. Foi nessa época que surgiu a ideia de montar um fã-clube para o ídolo. Por meio de um anúncio no jornal,  conseguiu o telefone da casa de Raul e resolveu ligar: “Alô, Raul? Aqui é o Sylvio...” e Raul lhe respondeu: “Sílvio? Sílvio Santos? Sim, eu aceito tocar no seu programa!”. Após desfazer a confusão, contou que pretendia fundar um fã-clube em sua homenagem e, surpreso, Raul o convidou para um almoço em seu apartamento, em São Paulo, local que Sylvio passaria a frequentar assiduamente durante os anos seguintes.

Hoje, aos 46 anos, Sylvio é a principal fonte quando o assunto é Raul Seixas. Foi a ele que Raul confiou o seu baú pessoal, recheado de todos os tipos de objetos – de cadernos escritos durante a infância a roupas e letras de músicas inéditas. “Nós éramos amigos e ele confiava muito em mim, me entregava tudo. Até o dinheiro dele ficava comigo”, conta. Além disso, seu acervo possui outros objetos que lhes foram doados pela mãe, pelas ex-mulheres e pelos amigos do cantor baiano.

Tido por muitos como o filho homem que Raul não teve, para explicar essa relação, Sylvio cita uma frase que escutou de Dona Maria Eugênia, mãe do Maluco Beleza: “Sylvio, Raulzito gosta demais de você e eu sei que você aprende muito com ele. Mas, mesmo sendo um garoto ainda, nunca se esqueça que ele também aprende muito contigo.“ A diferença de idade logo foi deixada de lado assim como a distância fã-ídolo.

Sylvio faz o que pode para manter viva a obra de seu grande ídolo e amigo: já produziu CDs com músicas inéditas, escreveu livros, incentiva e promove shows de covers, além de participar ativamente de comunidades virtuais e manter o “Raul Rock Club”, maior fã-clube do país, por quase 30 anos, tendo encerrado oficialmente as suas atividades em 2009 devido a confusões na justiça referentes aos direitos autorais.

Todo o seu acervo de material “raulseixista” faz parte da “Expo Raul”, exposição organizada por ele que viajou várias partes do país. “Raul não me entregou todo esse material para eu guardar em casa porque eu sou um fã-colecionador. O cara me passou uma grande responsabilidade e eu tenho que passar isso para frente”, deseja Passos.

Sylvio está envolvido atualmente com dois projetos: o lançamento do documentário “O início, o fim e o meio” do diretor Walter Carvalho, com estreia prevista para o mês de outubro, e no auxílio ao escritor Edmundo Leite, que há cinco anos pesquisa a vida e a obra de Raul para escrever biografia, tida como a mais minuciosa e detalhada publicada até hoje.

27 junho 2010

Nos bastidores da política nacional

Militante do PT e assessora de Lula em 1989, Maria Ester Costa afirma que “o Bolsa-Família valeu cada segundo de passeata, comício, assembleias de classe das quais participei.”

Formada em História e Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Maria Ester Costa trabalha há mais de 25 anos com assessoria de imprensa voltada para políticos. Como destaque no seu currículo possui a participação na primeira campanha do presidente Lula, em 1989. Sobre esse e outros pontos relevantes de sua carreira conversamos com Ester, que nos contou um pouquinho dos bastidores do universo mítico da política nacional.

Bruna Moraes: Antes de se tornar assessora de imprensa você já gostava de política?
Maria Ester Costa: Sim, fui militante política no sindicato dos bancários na década de 80 e participei das manifestações contra a ditadura.

Bruna: Você acha que é fundamental ter esse gosto prévio pelo assunto? Ou o seu conhecimento de alguma forma te atrapalhou durante a carreira?
Ester: Eu acho muito melhor trabalhar com um assunto que você ache importante, acredite. Pode ser qualquer um, mas desde que se tenha alguma identificação acho que fica tudo mais fácil. Pode ser moda, economia, culinária, esportes, mas acho que é um bom começo gostar do assunto sobre o qual vamos escrever.

Bruna: Durante a sua carreira chegou a trabalhar com alguém em quem não acreditasse?
Ester: Não, tive muita sorte, em grande parte só escrevi sobre assuntos que achava interessante e trabalhei com pessoas que eu achava que tinham interesse em fazer algo de bom para o país.

Bruna: Com esses anos de experiência, acredita que é correto afirmar que a política transforma as pessoas?
Ester: Eu acho que a política nos torna mais inteligentes, mais capazes de analisar o mundo, é um super exercício intelectual, mas também com o tempo a gente vê muitos que acreditávamos desistindo de suas ideias e fazendo o mesmo que criticavam nos políticos tradicionais

Bruna: Você assessorou o presidente Lula, em sua primeira campanha em 1989, como ele era naquela época?
Ester: A campanha era paupérrima e havia muito preconceito contra ele, mas ele era muito acessível, vinha gente de todo o país visitar o comitê, pessoas ligadas aos movimentos populares, de luta pela terra. Foi uma campanha muito emocionante e romântica, apesar do jogo pesado de Collor, que acabou vencendo.

Bruna: E qual foi a sensação de vê-lo assumir a presidência em 2003? Chegou a pensar que era, de certa forma, uma vitória sua também?
Ester: Eu fui a Brasília na posse. Fui, na verdade, ajudar a mostrar as forças populares a que ele estava ligado, quem ele representava. Acho que a minha geração tem muito a ver com a vitoria de Lula, foi uma vitória de muitos de nós, também.

Bruna: E com ele no poder, a utopia virou realidade?
Ester: Em muitos aspectos sim. Costumo dizer que o Bolsa-Família valeu cada segundo de passeata, comício, assembleias de classe das quais participei. O Brasil está melhor, só o que para mim ainda é uma dúvida terrível é a educação. Não podemos aceitar e dizer que é bom, um pais que tenha 20% de analfabetos funcionais e o ensino com a qualidade inferior ao da Bolívia, como costumava dizer Darcy Ribeiro.

Bruna: Voltando o foco agora para toda a sua carreira, você lembra agora de alguma saia justa que tenha passado? Alguma entrevista que tenha marcado e o jornalista fugiu do tema, ou algum programa em que havia outros convidados que desagradavam seu cliente, ou caso semelhante?
Ester: Sim, um jornalista disse que ia falar sobre um assunto e veio com uma denuncia, com as perguntas prontas, sem dar chance para o meu assessorado argumentar. Na época ele era famoso por publicar coisas negativas do governo de Luiza Erundina. Foi muito chato ver a notícia publicada no dia seguinte, no final teve processo de ambos os lados, meu assessorado mandou distribuiu uma carta falando mal do jornalista, foi uma confusão.

Bruna: E o que fazer em situações como esta? E quando o candidato fica estigmatizado, é melhor assumir o estigma ou tentar criar outro?
Ester: Administrar a crise e depois gerir a situação, eu acho, ir analisando com cuidado as situações e deixar o tempo fazer sua parte para que as coisas saiam da pauta, caiam no esquecimento

Bruna: Para finalizar, Ester, gostaria de saber se com todo esse seu envolvimento e experiência política, já pensou, ou pensa, em se candidatar?
Ester: Só de pensar já teria um monte de gente querendo acabar comigo (rs). É um universo muito competitivo, eu não sei se teria capacidade para lidar com isso, acho os bastidores mais divertidos.

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Repordução integral do Trabalho de Jornalismo Básico da Faculdade Cásper Líbero

26 junho 2010

“O meu Mickey Mouse é o Almanaque do Timão

Aos 42 anos, Celso Unzelte tem uma carreira de fazer
inveja a qualquer foca aspirante à área esportiva

Com 12 livros lançados, 11 deles sobre futebol, e tendo no currículo passagens pelas revistas Placar e Quatro Rodas, Celso atualmente participa do programa Loucos por Futebol da ESPN Brasil, faz boletins para a rádio Eldorado, é colunista do Yahoo Esportes, subeditor de esportes do Jornal DCI e há sete anos ocupa a cadeira de Jornalismo Básico da Faculdade Cásper Líbero.

Casado com Patrícia Unzelte, também jornalista, e pai de três filhos, ao falar da divisão do tempo entre jornalismo, as aulas e a família ele confessa: “é um malabarismo danado, mas eu sou muito disciplinado, tenho o timer certo para fazer as coisas”.

Jornalista experiente, tenta ensinar em suas aulas os conteúdos que gostaria de ter tido quando estudante e por isso antecipa as dúvidas de seus alunos “Eu trabalhei a vida inteira com revista e nunca tive uma aula sobre isso”. Ainda sobre o desafio de encarar o tablado, Celso diz ser um investimento para o seu futuro: “Jornalistas velhos são desvalorizados, você não vê nas redações gente com mais de 40 e quando vê, vê um. E professores velhos são valorizados, o professor adquire o respeito”.

Arrepende-se de não ter concluído o curso de História, que iniciou logo após concluir o de Jornalismo, e se diz um historiador frustrado, embora todos os seus trabalhos venham a culminar nessa área (tanto quanto no futebol).

Pelo fato de ter construído essa carreira de historiador do futebol e dizendo sempre: “prefiro mil vezes entrevistar uma fonte morta do que perguntar para um cara suado o que ele achou do jogo”, nunca teve pudor em demonstrar o amor pelo Corinthians. E foi justamente o seu time do coração que lhe rendeu o seu Mickey Mouse: um almanaque completo do clube do Parque São Jorge, com informações sobre todas as partidas e todos os jogadores que participaram desses cem anos do Timão. Sobre esse projeto, Celso conta que “começou como sonho de infância depois virou uma necessidade de um profissional da área”.

E a maior prova de que o seu amor pelo futebol é tão grande quanto pelo Corinthians, foi ter escrito o almanaque do arquirrival Palmeiras e estar planejando um também para o centenário do Santos.

Mesmo com tantos livros lançados, Celso considera-se um jornalista escritor, pois vive do jornalismo e eventualmente aparecem oportunidades para escrever livros.

Sobre o trabalho na TV, Celso não se deslumbra e diz que a sua estréea nas telas se deve unicamente a três letrinhas: PVC, o padrinho de casamento e ex-colega de Placar Paulo Vinícius Coelho foi o maior incentivador da sua contratação. Na ESPN, ao lado do amigo e de Marcelo Duarte, Celso apresenta o Loucos por Futebol, programa em que, entre histórias e curiosidades do esporte, podemos vê-lo cantando hinos excêntricos de vários clubes de futebol. A paixão pelos hinos, assunto sobre o qual ainda pretende escrever um livro, é uma junção de outras duas: o futebol e a música.

Além do livro dos hinos e do almanaque do centenário do Peixe, Celso ainda tem o projeto de um livro das Copas, com um diferencial em relação a todos lançados até hoje: informações detalhadas de todos os homens que participaram de cada uma das 16 edições do mundial. Como sonho, ele almeja a produção de uma revista própria, mas pelos anos de experiência sabe que o custo para se manter uma publicação é muito alto.

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Reprodução integral do trabalho de Jornalismo Básico da Faculdade Cásper Líbero

16 junho 2010

Au, au, au o Edmundo é (um comentarista) animal

Aos 39 anos, ex-jogador inicia sua carreira como comentarista
e já é escalado para o mundial da África do Sul

O animal inconseqüente do começo da carreira de jogador de futebol não existe mais. Edmundo, atualmente é comentarista da TV Bandeirantes e empresário do setor da construção civil. A fama de bad boy, já apagada nos últimos anos nos campos, ficou num passado distante.

Integrante da seleção que amargou o vice-campeonato mundial em 1998, na França, ele participa este ano de sua segunda Copa do Mundo, na África do Sul, agora confortavelmente na cabine da TV, de terno e microfone na mão. Edmundo conversou conosco sobre essa nova fase de sua vida e sobre a Copa do Mundo.

Como surgiu a ideia de ser comentarista?
Convite de um amigo da Rede Tv que achou que pela minha forma de discutir futebol, daria certo como comentarista. Ele me convenceu.

Dentre as profissões seguidas por jogadores após a aposentadoria o eu objetivo sempre foi esse?
Não, não pensava em atuar na TV, mas me imaginava continuando no futebol.

Atualmente, descarta a ideia de ser técnico?
Sim.

Qual era a sensação de integrar a seleção em 1998?
Muito boa, tínhamos um grande grupo.

E hoje, qual a sensação de estar novamente em uma Copa do Mundo?
Muito boa, estou adorando o trabalho e o grupo.

Como é estar agora do outro lado? A imprensa realmente é tão "má" quanto parecia quando você fazia parte da seleção?
Nunca achei a imprensa má, achava e acho que na imprensa existe gente bem e mal intencionada, pessoas que fazem notícia de boato. Acho que deve ser assim em qualquer profissão, mas só tenho experiência com o futebol e com a imprensa.

Qual seleção representa maior perigo ao Brasil? Ainda temos que tomar cuidado com a França?
Argentina, pois cresce na hora decisiva ao contrário de algumas que amarelam. Além dela, Alemanha. Acho que a Espanha e a Holanda têm grandes times, mas pouca tradição de chegada. França tem camisa e não pode ser desprezada apesar do time estar fraco.

Quem faltou ser convocado na seleção do Dunga?
Ganso e/ou Ronaldinho Gaúcho, pelo menos um dos dois.

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Reprodução integral do trabalho de Jornalismo Básico da Faculdade Cásper Líbero