25 janeiro 2011

Ai de quem não rasga o coração!

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Caymmi disse e meus queridos Novos Baianos repetiram que “quem não gosta de samba bom sujeito não é”. Meus amigos vivem repetindo que “quem não gosta de Chico bom sujeito não é”. Definitivamente, eu não sou uma boa sujeita.

Caso difícil, complicado, de moça que gosta de Rock’n Roll e não abre a cabeça para esses ritmos mais alegres. Respeito samba, respeito Chico, principalmente pela história e pela poesia, mas não morro de amores.

(...)





Como dizia o poeta
(Vinicius de Morais)

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Nao há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão

(...)

Mas Vinicius é outra história. Não sou da boemia e muito menos conivente com a vertente machista do poeta. Só que não dá pra fechar os olhos pra esses versos incríveis. Como discordar de que mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão? Impossível.

Sim sou um caso difícil, mas não perdido. Tipo Dr. House...

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28 dezembro 2010

Clarice explica

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Um dia desses uma amiga me perguntou por que apesar de termos certeza de que “a pessoa certa” ou "o homem dos nossos sonhos" não existe, continuamos procurando.

Eu não sabia a resposta, mas me veio instantaneamente à cabeça um trecho do conto Perdoando Deus, do livro Felicidade Clandestina da genial Clarice Lispector, que talvez esclareça um pouco a questão...


"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva..."

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21 novembro 2010

A importância dos pequenos gestos

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Mudanças pequenas unidas resultam na transformação do todo, que é muito maior do que a simples junção de todas as suas partes. Alterações no cotidiano e na rotina (essa palavra que me dá até arrepios) são fundamentais.

As coisas das quais você sempre gostou não vão deixar de ser legais, mas a repetição delas pode te cegar para as outras oportunidades da vida. Aquela música continuará sendo linda e você a admirará ainda mais quando ouví-la após um longo período de abstinência.

Nada é estático no mundo. As energias sutis existem e basta que saibamos entendê-las e usá-las a nosso favor.

Dê um tempo do mundo. Tire um tempo pra você. Seja essência e não tema o novo. Experiências são sempre positivas. Para cima e para frente porque o mundo é nosso. 
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07 novembro 2010

Sobre "Bola de Neve"

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Acabei de reler o texto que eu escrevi e publiquei aqui sobre o livro O Símbolo Perdido, de Dan Brown. Percebi que o último parágrafo pode ter ficado um pouco confuso, porque eu misturei algumas influências sem esclarecer de onde elas saíram.

Ao falar em “jogar pérolas aos porcos” com a esperança de que algum deles se torne “um Bola de Neve” eu me referia ao porquinho mais esperto, e do bem, do livro A Revolução dos Bichos, clássico do grande George Orwell.

Li essa fábula moderna aos 15 anos e a compreensão que eu tenho até hoje dos regimes de governo em muito corrobora com a visão exposta no livro. Deixo essa dica de leitura. E lembre-se: qualquer semelhança com o que vemos hoje no Brasil, e no mundo, é mera coincidência. Ou não.
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04 novembro 2010

Ser panela sendo tampa

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Por esses dias lembrei de um pensamento da infância: eu tinha plena convicção de que todos nós possuíamos uma alma gêmea, a tampa da nossa panela, alguém já pré-definido antes do nosso nascimento, com quem nos encontraríamos aqui na Terra e ao lado de quem seriamos felizes.

Eu considerava, muito seriamente, que só haveria um homem que uma mulher amaria de verdade e vice-versa. Por isso, quando assistia nas novelas casos de triângulos amorosos, ficava sem entender... Por que aquela mulher insiste em ficar com o Juvenal se ele já é casado, e amado, pela Janaina?

Precisou a adolescência chegar para eu me dissuadir dessa verdade tão insipiente. Pensei, observei e entendi. Talvez haja mesmo algum pré agendamento celeste para questões do coração, mas quem disse que os seres humanos gostam de respeitar regras?

Hoje eu sei que se apaixonar pela tampa da panela do vizinho não é nenhum absurdo. Absurdo seria uma panela ter encaixe pra duas tampas.

Não adianta querer achar razão para o coração nem mesmo fazê-lo entender que há o certo e o errado. Não há anel de metal, papel assinado ou palavra dita diante de figuras simbólicas que contradigam o valor de um olhar, de um sorriso ou de um abraço.

Certo dia, me disseram que os humanos ainda não conseguiram superar as questões emocionais. Isso é verdade. A paixão domina como nenhum outro sentimento, a ponto de cegar. É tão irresistível e tão grande que não há quem seja capaz de atirar a primeira pedra por já não ter feito uma loucura apaixonada...

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