Na semana passada quando assisti Elefante (EUA, 2003 – Direção de Gus Van Sant) várias coisas me passaram pela cabeça. O ritmo lento do filme e os retalhos que são apresentados e que formam uma colcha após os 81 minutos do longa nos dão um bom tempo para reflexão.
A escola é uma das poucas instituições pelas quais todas as pessoas passarão um dia e durante a mesma fase da vida. Não importa quais sejam os lugares, cidades ou estruturas, o sentimento em relação ao termo ‘escola’ traz sempre muitas lembranças (boas ou ruins).
Deu pra reconhecer rostos familiares em cada um daqueles grupinhos apresentados: das minhas amigas que levavam estojos de maquiagens para as salas de aula ainda na pré-adolescência à nerd, que no meu caso era um menino a quem eu chamava carinhosamente de Watson, em referência ao companheiro do mais famoso detetive da literatura inglesa.
O filme deixa explícito o que muitos pedagogos tentam explicar aos pais que querem alfabetizar seus filhos em casa: na escola eles não aprenderão apenas Português, Matemática ou Ciências Sociais, mas também, e principalmente, aprenderão a conviver em sociedade e a respeitar regras.
Os conflitos sociais e psicológicos começam a surgir, no filme e na vida, quando alguns alunos percebem que além da instituição eles também podem estabelecer, paralelamente, as suas regras. Assim são formados os grupinhos, panelinhas e irmandades. Quando alguém não se encaixa em alguma delas, sente-se rejeitado pelo meio e é esta a principal questão que dá razão ao filme.
Foi essa sensação que levou os dois meninos a planejarem e executarem assassinatos em massa no colégio onde estudavam. Um presente incômodo e indesejado às pessoas que os rejeitaram a vida toda. Uma coisa enorme e incomum que não serviu para nada, porque matar as pessoas não apagou as lembranças das palavras e gestos de rejeição um dia sofridos. O ato foi um elefante. Branco.
Longe de mim defender o Carnaval. Como roqueira chata que sempre tive orgulho de ser, a festa do samba, do frevo, do forró e de tantos outros ritmos ‘tipicamente brasileiros’ pra mim não passa de mais um feriado nacional.
Este editorial, lido pela jornalista paraibana Rachel Sheherazade, pipocou diversas vezes na minha timeline nos últimos dias, vídeo compartilhado por diversas pessoas. Assisti. Não tem como discordar da visão dela, mas se ela estava criticando o paradigma de que o Carnaval é uma festa popular, acabou apenas criando outro dizendo que o Carnaval é uma festa para ricos. Não, nem oito nem 80.
As grandes verdades
1ª) Ela diz que o Carnaval não é uma festa genuinamente brasileira por ter surgido na Europa. Seguindo essa linha de raciocínio o Brasil também não é o país do futebol. 2ª) O Carnaval é uma festa dos ricos, não é uma festa popular. Bom, então se julgarmos só pelo fato de existirem locais que cobram caro por suas festas nenhuma será popular. Nem o Natal.
Pão e Circo
Ela diz com propriedade “milhões de reais são gastos para garantir o circo à população que não tem se quer o pão”, a referência está perfeita e é isso mesmo, o Governo proporciona diversão a população para que não se preocupem com ‘as coisas sérias’, foi assim na Roma antiga e não evoluímos muito. Está errado? CLARO que está! Mas essa é uma questão muito distante do Carnaval...
Bandas
Quanto aos artistas cobrarem por suas apresentações, o que tornaria a festa menos popular, não preciso nem comentar, né? Ou será que ela está lendo esse editorial de graça, paga apenas pelo bem moral que está fazendo ao público ao lhes abrir os olhos para ‘o verdadeiro Carnaval’? Não, não está. Ninguém trabalha, nem deve trabalhar, de graça.
A música
Ela se indigna com a boa música sendo calada por hits do momento. Parece que é uma ação automática à chegada do Carnaval e que não acontece em outras épocas do ano. Balela. Hits ridículos tocam o ano todo e por um só motivo: porque as pessoas gostam!
Segurança e saúde
Não vejo qual o absurdo em ambulâncias trabalharem nos locais da festas de Carnaval. Se há concentração de gente, a probabilidade de acidentes é grande. O sistema de saúde brasileiro também está longe de ser razoável, mas se essas unidades de emergência não estivessem presentes nessas áreas o problema seria muito maior. O mesmo se aplica à segurança.
Economia
Contra fatos não existem argumentos: a renda dos comerciantes ambulantes aumenta em dias de festa, pois há uma maior circulação de pessoas pelas ruas. Isso não quer dizer que os ambulantes não trabalham o resto do ano ou que é uma maravilha que resolve todos os problemas, é só um fato que não deveria ser tratado como absurdo.
Resultados da festa
As pessoas só bebem, transam sem camisinha e engravidam no Carnaval. Só no Carnaval. Hipocrisia.
Como conclusão, acho que valeu pela lembrança de que nem tudo é festa no Carnaval. Mas também, reitero, não é o absurdo pintado por este editorial. Num próximo post escrevo as minhas impressões sobre a festa, já que neste apenas refutei os argumentos da minha colega paraibana. Essa mania de jornalista achar que pode falar com propriedade sobre tudo é um problema...
Entrevista da astróloga Carol Borges ao Programa “Elas por elas” da Rádio Gazeta AM, de São Paulo, ancorado por Jéssica Guimarães e Giorgia Cavicchioli. Como nós duas temos uma visão de mundo parecida, divido com vocês esses minutos de sabedoria com a minha famosa "tia astróloga".
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O poder aquisitivo da classe C está crescendo, a ponto de vermos no país o surgimento de uma nova classe média. Essas pessoas passaram a ter acesso a uma linha de crédito mais abrangente, o que possibilitou a compra de bens duráveis de maior valor agregado.
Enquanto isso, ou se aproveitando disso, o valor das passagens de transporte coletivo só aumenta. Chegando a porcentagens maiores do que a inflação, e na proporção inversa à qualidade do serviço prestado. Não falo mal do metrô, salvo a demora para inauguração das linhas e o tempo de funcionamento das novas estações, mas os ônibus deixam a desejar: poucos veículos, itinerários complicados, funcionários despreparados e ambientes sujos.
Agora imagine se você tivesse todo dia que suportar as dificuldades impostas pelo transporte público e percebesse que tem a possibilidade de finaciar um carro. Sim, assumir esse crediário parece uma solução divina.
Todos os seus problemas estariam acabados se São Paulo não possuísse uma frota de carros superior ao número de habitantes da maioria das cidades brasileiras. Não há infraestrura nessa cidade para isso. Trocar o metrô lotado pelo engarrafamento demorado, uma divida de anos, a preocupação com o rodízio, a alta dos combustíveis mais o seguro/estacionamento/zona azul, talvez não seja a melhor opção.
Parece, e é, um beco sem saída. O paulistano não tem para onde correr (quase que literalmente). Acho importante prestarmos atenção nisso para cobrar da administração pública de forma consciente. Precisamos URGENTEMENTE de investimento no transporte público, principalmente em linhas de metrô e manutenção das vias.
‘O povo’ precisa ter a consciência de que não é apenas dos políticos a responsabilidade por melhorar São Paulo (e todas as cidades). Também cabe a nós, mesmo que não possamos colocar as idéias em prática neste momento, pensar e estudar o que é melhor para ela. Reclamar sem ter noção das dificuldades enfrentadas quando se administra grandes e populosos locais é muito fácil. E de reclamações São Paulo já está saturada.
Metrô
É preciso colorir esse mapa...
A curto prazo, não precisa ser como o de NY...
Quem sabe como o de Moscou?! Adoro esse, principalmente pelo traço marro que circula o centro da cidade.