24 novembro 2014

um pouquinho de tênis, vai...

Ainda não caiu a ficha direito de como esse ano foi especial para os “meus meninos suíços”.

Aos 33 anos, Roger Federer voltou a ser regular no circuito, depois de um 2013 desastroso, retomou a segunda colocação do ranking, fez inúmeras finais de Masters 1000, protagonizou duelos eletrizantes contra o número 1, Novak Djokovic, inclusive a final do seu Grand Slam preferido, Wimbledon.

A decisão do Finals não rolou, mas na semana seguinte veio a inesquecível conquista da Copa Davis, sacramentada por ele com a vitória sobre Richard Gasquet, mas construída pelo suicinho: Stanislas Wawrinka.

O ano de 2014 foi o melhor de todos para o menino que tem a esquerda mais bonita do circuito. Tudo começou com a conquista do primeiro Grand Slam da temporada: o Australian Open.

Nunca vou esquecer uma declaração dele, duas semanas antes, após conquistar o ATP 250 de Chennai: perguntaram o que faltava pra ele chegar ao top-5 e ele respondeu “pra isso, é preciso vencer um Grand Slam, e isso não vai acontecer”. Em janeiro ele chegou a posição número três do ranking e se tornou por alguns meses o número 1 da Suíça.

Depois disso, ainda veio a conquista do primeiro Masters 1000, no saibro de Monte Carlo, justamente sobre Roger Federer, contra quem ele também protagonizaria o jogo mais emocionante do ATP Finals, que certamente causou calafrios aos franceses. Entre uma coisa e outra, Stan teve atuações desastrosas, desclassificações para tops 50 em primeiras rodadas e coisas do tipo.

Mas voltou a ser #IronStan no momento certo: para ajudar o amigo (sim, porque amigo que é amigo briga mesmo) Roger Federer a conquistar um dos únicos títulos que lhe faltavam: a Copa Davis, a primeira da história da Suíça, que ele, Stan, não deixou de representar em detrimento ao circuito nenhuma vez.

Parabéns, Stanzinho. Parabéns, Roger.

e super obrigada ;)


01 maio 2014

“Eu era feliz e não sabia”

Ora, se você não sabia, não era feliz. Simples assim.

A felicidade tem a ver com uma sensação de satisfação, um sentimento bom, inquietante e, invariavelmente, consciente. 

Se não teve isso, você pode ter falhado na linha evolutiva da vida e desejar voltar no tempo, mas não seja injusto com o destino, dizendo que não sabia que vivia uma época feliz, e não me venha com o anacronismo de comparar o seu momento atual com outra época e sair por aí todo saudosista. 

A frase “eu era feliz e não sabia” é repetida muitas vezes em relação à infância/adolescência, momento da vida em que sabemos claramente que temos um mundo de escolhas pela frente. Essas escolhas continuam valendo durante toda a vida, mas a maioria das pessoas simplesmente não percebe e, por isso, deseja voltar no tempo em que havia ‘felicidade’. Bobagem.

A felicidade é a única coisa que importa e você está fazendo alguma coisa muito errada se ‘sente saudade’ dela. Bom mesmo será se você a tiver em todos os momentos, mas se isso não for possível, vislumbre-a à frente, mas por perto.

01 junho 2013

A disponibilidade total e irrestrita

#QuemNunca sentiu o coração
disparar ao ver esse ícone nas
notificações do celular?
Com custo quase zero, o WhatsApp revolucionou o mundo da comunicação instantânea. Uma mistura de msn com sms, o aplicativo para celulares conquistou milhões de usuários nos últimos anos. Ele é prático, permite o envio gratuito de mensagens para outro celular que também possua o aplicativo, tem emotions engraçadinhos, permite a criação de grupos, além de diversas outras ferramentas de interação.

Acho lindo e utilizo muito, mas tem ali uma coisa me incomoda: a cobrança pela instantaneidade das respostas que o programa possibilita que os usuários cobrem um dos outros. Você enviou a mensagem, ela chegou ao destinatário (você viu pelos dois certinhos do lado direito da caixa de texto), o seu “amigo” do outro lado ficou online, mas não respondeu na hora. Pronto, já vira motivo pra briga: “Ele é um fdp, eu mandei WhatsApp, ele viu e não respondeu”.

No msn, até o incorporarem ao e-mail, sabíamos que a troca de mensagens seria instantânea durante todo o tempo em que estivéssemos online. Uma vez off, essa obrigatoriedade acabava. Para estar on precisávamos estar disponíveis em frente a um computador. A loucura que o WhatsApp proporciona é a inversão disso: por ser um aplicativo para celulares, o usuário está disponível o tempo todo e, diferentemente do que acontece com as velhas mensagens de texto, não pode se dar ao luxo de deixar pra responder depois que já é dedurado pelo programa.

Obviamente que a minha crítica aqui não é ao aplicativo, mas aos usuários. Esse tipo de ferramenta alimenta a carência e o sentimento de inferioridade das pessoas, que no mundo em que vivemos já possuem pouca estrutura psicológica e emocional e aproveitam qualquer brecha para criar uma cena dramática. Ninguém para pra pensar que respostas a longo prazo denotam um maior tempo para reflexão. Qualquer tipo de texto precisa de tempo para ser pensado e ficar coeso, se você procura reações imediatas, escolheu a forma de comunicação errada.

O Facebook também adotou há alguns meses essa função “dedo duro”, mostrando quando você visualizou a resposta, mesmo que não tenha respondido, o que ocasiona o mesmo turbilhão de sentimentos que eu citei acima falando do “Whats”. Esses serviços estão nos deixando ainda mais mimados, “queremos respostas e queremos agora!”. Se a sensação proporcionada pelos smartphones de estar disponível o tempo todo já é aterrorizadora, ter a obrigação de responder na hora é quase uma ferramenta de tortura psicológica.

26 maio 2013

Somos tãooooo jóóóóóóóóvensssss

Demorei demais para respirar fundo e ter coragem de encarar o Renato Russo nas telonas. Quando eu vi o trailer de “Somos tão Jovens” me emocionei bastante e achei que fosse ter que assistir ao filme com uma caixa de lencinhos de papel em mãos. Engano meu: não derramei nenhuma lágrima.

Não gostei do que vi. Eu leio sobre o rock de Brasília desde os meus 12 anos de idade. Já ouvi aquela história que o filme conta – o Renato nos primórdios da carreira, quando ainda tocava na banda punk “Aborto Elétrico” – da boca de quase todos os que estão vivos e fizeram parte dela... Dinho, Fê, Flávio, Bonfá, Dado, Barone, Hebert, Clemente, etc.

Por isso, com esse repertório adquirido durante anos, achei o roteiro de Marcos Bernstein fraco, óbvio demais. Os discursos me pareceram construídos objetivamente, preocupados apenas em transmitir a informação de forma didática.

Uma coisa que me incomodou bastante também foi a construção do Renato para que ele pudesse ser consumido “pela família brasileira”. Uma das coisas que me passou pela cabeça logo que eu fiquei sabendo do filme foi: “vão mostrar o Renato punk, já sei que vou tampar os olhos quando mostrarem ele furando a orelha com o alfinete”. Adivinha: não mostraram! Esse fato, um dos mais marcantes do viés punk do cantor, é apenas citado pela dona Carmem em determinado momento.

Outro fato que demonstra o caráter “feito para a família” do filme é a forma como a sexualidade do Renato foi exposta. Não tiveram coragem de mostrar um beijo gay. Focaram absurdamente na “paixonite” dele pela Flávio (retratado como um baby, sendo que ele é apenas um ano mais novo do que o Fê) e camuflaram toda a preferência dele “por meninos” com a bonita história de amizade entre ele e a Aninha (que não existiu...).

O Renato que eu construí com o passar dos tempos era muito mais intenso do que o que eu vi na tela do cinema. O movimento punk brasileiro foi bem mais “punk”, rs, do que eles mostraram ali, sobretudo quando você vive na capital federal na época da ditadura. Outra cena que faltou: Renato perguntando aos milicos: “quantos livros você já leu na vida?”.

No final do filme, aparece o Capital Inicial tocando “Música Urbana”. A história de como essa música foi escrita é incrível... Fê e Flávio tinham os primeiros versos escritos por Renato na época do Aborto, eles e o Dinho quebraram a cabeça para continuar a música, não conseguiram. Pediram ajuda ao Renato que estava se recuperando depois de cortar um dos pulsos e ele disse na hora: “escreve aí...” e fechou a música.

Mas, claro, a família brasileira não pode admitir que o seu “ídolo” tenha cortado o pulso, talvez tentado o suicídio – ninguém sabe exatamente o porquê -, então, né. Pra que mostrar? Vamos ficar com a parte bonita da história. Nosso recorte especial.

Para encerrar, tenho mais duas coisas a dizer. A primeira é uma dica aos interessados nesse assunto: assistam o DVD “MTV Especial: Capital Inicial Aborto Elétrico”, de 2005. Ali eles contam toda essa história em detalhes, com entrevistas com os verdadeiros personagens, ajuda muito na distinção entre a realidade e a visão do roteirista/diretor.

A segunda é: mesmo com tantas críticas, acho importante levar Renato à massa. Fico aqui no meu cantinho enviando vibrações para que alguns sejam picados pela mosquinha da curiosidade e vão atrás da “verdade”.

06 fevereiro 2013

O meu anjo torto

Drummond foi o meu anjo torto
Conheci Carlos Drummond de Andrade aos 16 anos de idade e ele mudou a minha vida. Antes de encontrar a poesia, e ele foi o meu mentor neste mundo colorido, eu não sabia que outra pessoa, que sequer me conhece, poderia saber muito sobre o que eu sinto. Claro que não poderia ser uma pessoa qualquer, tem que ser assim um Drummond. Eu digo sempre e repetirei todas as vezes que tiver uma brecha: o poeta de Itabira sabe mais sobre mim do que eu mesma. Drummond foi o meu anjo torto, que me visitou quando eu nasci para este novo mundo.

O dia a dia, que junta todas aquelas coisas burocráticas, certinhas e quadradas, teima em nos afastar do mundo do arco-íris que existe na dimensão poética. Mesmo sendo pouco visitado, ele continua lá. É só entrar e se aconchegar... no meu caso, sempre que consigo me desligar daqui e ir pra lá, encontro Drummond sentado no chão, com um sorriso nos finos lábios e um livro na mão. Leio, leio, leio. No fim, ele sempre acerta. Na mosca.

Nestes seis anos, foram inúmeras poesias encontradas ao abrir os seus livros, alguns tão especiais que se tornaram "livros de cabeceira". Foi em um desses, o "Alguma Poesia", que eu encontrei o poema que publico abaixo. É um daqueles que eu comentei acima, que depois que você termina de ler, pensa: "como ele conseguiu descrever o que eu tô sentindo?".

APARIÇÃO AMOROSA

Doce fantasma, por que me visitas
como em outros tempos nossos corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis: ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.

Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.

Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto… o quê? a massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma idéia platônica no espaço?

O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.

Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.

22 janeiro 2013

Ohhhh, a Rádio Rock voltouuuu

Ilustração de bom gosto
Há cerca de um mês a Rádio Rock voltou ao dial paulistano. Estávamos órfãos de uma emissora que tocasse rock de todas as eras, do clássico ao que está sendo produzido nos dias de hoje e as novidades das antigas bandas. Quem curte o estilo estava até então restrito à Kiss FM, focada em classic rock, já que a Brasil 2000 e a Mit FM acabaram no último ano.

Além de recolocar o rock nas ondas médias, o mais legal deste projeto abraçado pelo UOL foi manter apresentadores antigos. Luka, Maia, Tatola, PH, Cadu, Eric... comandando os mesmo programas daquela época: Perdidos, Pressão Total, 89 minutos... Rola aquela nostalgia, saber?

Não sou das “mais velhas” e nem acompanhei muito destes anos ilustres que eu citei, mas a Rádio Rock marcou a minha infância. Era o único adesivo que o meu pai permitia que fosse colado no carro dele, onde o rádio sempre estava sintonizadana 89 FM e onde também nos divertíamos ouvindo os Sobrinhos do Athaíde.

Acho graça dos “mais jovens”, daquela galerinha que não curtiu os tempos áureos da Rádio Rock na década de 1990 – oficialmente ela virou pop em 2006, mas nos últimos anos já estava decante – e fica eufórica ao ouvir a sua música preferida do Green Day tocando no rádio.

Muito legal eles terem mantido o logo clássico e curti demais uma ilustração com uma fênix, a ave que ressurge das cinzas, envolvendo um violão. É bem isso.

17 janeiro 2013

Santa Sé.

Eu nunca fui a Roma e não conheço a Basílica de São Pedro – embora já tenha visitado diversas vezes a sua descrição no meu exemplar do Guia Michelin – mas imagino a sensação de pequenez que quem entra ali deve sentir. Aliás, o tamanho dos seus templos era uma forma de a Igreja Católica demonstrar seu poder na Idade Média. Apesar das intenções dela serem absolutamente refutáveis, não podemos julgá-la por tentar demonstrar com as suas construções o tamanho do poder divino.

O prólogo foi longo, mas finalmente consigo chegar onde eu queria: eu nunca fui a Roma, mas já passei diversas vezes pela Catedral da Sé. Ok, além do nome da “Santa Sé”, poucas coisas elas têm em comum, mas essa sensação de pequenez que eu descrevi sobre o templo romano é o que sinto quando visito aquela igrejinha do centro de São Paulo. Ela é linda. O projeto atual é novo, tem cerca de 60 anos, mas foi inspirado em igrejas medievais e tem um mobiliário autenticamente italiano.

Ela sempre está rodeada por doidões, mas
todo ano no dia 21 de agosto, vê milhares
dr doidões raulseixistas se reunirem ali
Não sou católica, mas aprendi a rezar o “Pai Nosso” e a “Ave Maria” quando criança, e não esqueci. Por isso, sempre que posso, entro lá para dar uma rezadinha e conversar com Deus. Na verdade, muitas vezes desvio o meu caminho para fazer isso e converso sim com o Deus, porque Ele é o mesmo de todo mundo, ou ele é todo mundo, tanto faz.

A Catedral me faz sentir pequena, repito. Passei muito tempo querendo entrar ali e só observando-a por fora. Ela já parecia grande, mas por dentro, é outra história.

Ela é um gigante de pedra. Meu olhar se perde ali dentro, abismada com as curvas, arcos e outros detalhes que o Jorge (meu professor de História da Arte) me ensinou a adorar. Outro dia vi um moço arrumando flores entre os bancos, em cima de um tapete vermelho. Era sábado à tarde, à noite deveria rolar um casamento. Penso na honra que deve ser realizar esse tipo de celebração ali, naquele lugar lindo.

A Catedral é um dos meus lugares preferidos da Capital (juro que em breve faço um post com o top 5), não só a construção em si, mas todo aquele entorno. Ali é o marco zero da cidade e bem naquela praça – a famooooosa Praça da Sé – acontece todo ano, no dia 21 de agosto – a chegada da Passeata em homenagem ao meu ídolo Raul Seixas. São muitas emoções vividas ali nos últimos anos, em torno de um monte de doidões gente boa ouvindo e tocando Raul.

16 janeiro 2013

Eu lembrei de contar a história do último post porque li nessa semana, com uns meses de atraso, admito, o livro “Nunca fui santo”, que o Mauro Beting escreveu com base no depoimento de São Marcos.

"PQP é o melhor goleiro do Brasil!"
Achei o livro emocionante, embora esperasse um pouco mais de detalhes pessoais e menos estatísticas. Como já era de se esperar, no papel, o depoimento ficou menos carismático do que nos meios audiovisuais, em que estamos mais acostumados a vê-lo.

O cara é o maior ídolo da minha geração. Foi o protagonista das conquistas em que eu mais vibrei. Vê-lo relembrando a campanha vitoriosa do Palmeiras na Libertadores de 1999 e os bastidores da defesa do pênalti do Marcelinho na semifinal da competição do ano seguinte – que foi tão comemorada como se fosse um título – encheu meus olhos de lágrimas. Além do riso incontido com as histórias divertidíssimas de sempre. Figura.

Destaco um momento que eu achei surpreendente: no capítulo sobre a Copa de 2002, São Marcos relembra que após a vitória sobre a Inglaterra nas quartas de final, o Felipão disse que, embora não fosse a mesma coisa, aquela vitória tinha um gostinho de revanche do Mundial de Clubes de 1999, em que o Palmeiras foi derrotado pelo Manchester United. Além do goleiro e do treinador, outros quatro integrantes da Seleção defendiam o Verdão na disputa contra a equipe inglesa.

No final do livro, percebi que além de meu ídolo como goleiro, ele também faz parte de um grupo de pessoas que eu admiro independentemente da profissão: aquelas que correm atrás dos seus sonhos. O menino palmeirense que jogava bola nos campinhos de terra batida de Oriente trabalhou muito conseguiu se consagrar no clube de coração e entrar para um hall restrito de ídolos do time do Palestra Itália.

Lendo a história dele fica nítido que nada acontece por acaso, que tudo na vida tem um porquê e que não existe acaso.

15 janeiro 2013

Com o Marcão, pode.

Por muito tempo - desde os 12 anos de idade quando eu decidi que queria ser jornalista e trabalhar com esporte – eu fui atormentada por tios, tias, amigos, conhecidos e vizinhos que me diziam que, para trabalhar com isso, eu teria que deixar o fanatismo de lado, teria que deixar o Palmeiras de lado para ser imparcial.

De certa forma, isso aconteceu depois que pisei pela primeira vez em uma redação de esportes. Em parte porque eu acreditava mesmo que sendo fanática, não conseguiria ser uma boa profissional. Ainda acho que isso é verdade, mas de uma forma mais ampla: todo fanatismo atrapalha e nunca vale a pena.

Não deixei de torcer pelo meu Palmeiras, embora a ansiedade tenha diminuído bastante. Na verdade, o que aconteceu foi que optei por não prestar muita atenção para não sofrer – e assim não demonstrar sofrimento. Mas foi na redação, e nas cabines dos estádios, que eu percebi que todo jornalista torce, por mais que não escreva, não fale ou não sinalize isso. Ser profissional não é não torcer, é conseguir fazer um bom trabalho mesmo torcendo.

A camiseta explica o momento: "groupie"
No entanto, se eu conseguia (e consigo) camuflar toda essa palmeirenssisse, o que eu nunca consegui foi esconder o carinho imensurável pelos meus ídolos. Os grandes jogadores que vestiram a camisa verde e branca seguem uma ordem hierárquica de idolatria no meu coração, em que a primeira posição é dividida por Felipão, Edmundo e Marcos.

Sempre imaginei o que eu faria se encontrasse com um dos três, antes e depois de “virar” jornalista. O único que eu encontrei até agora foi São Marcos. Da primeira vez que o vi, nada pude fazer além de segurar o gravador – estava no prédio da administração do Palestra, ao lado de onde será construída a nova Arena, numa coletiva sobre um programa de sócio-torcedor. Lembro dele, com um copo de cerveja nas mãos, dizer para os jornalistas: “gente, preciso ir no banheiro, mas to aí, viu?”, provando que aquele carisma da TV era real (não que eu tenha duvidado disso em algum momento).

Da segunda vez, foi tudo previamente programado. Eu sabia que ele seria o convidado do Mesa Redonda e que o horário de chegada dele bateria com o meu de saída do plantão, apenas cinco andares acima. Desci.

A tietagem não durou muito tempo, apenas um beijo e uma foto, o suficiente para encher esse coração palmeirense de alegria.

O momento foi gravado e acabou virando sinônimo de “tietagem” também no Gazeta Esportiva do dia seguinte. Fiquei envergonhada e até hoje não tive coragem de ver. Levei bronca de um colega de trabalho, mas todos os outros, inclusive os chefes, passaram a mão na minha cabeça: com o Marcão, pode.

10 setembro 2012

Os Brasis e suas representações para o Mundo


Fico imaginando a trabalheira que deve ser resumir o que é o Brasil, só pra inglês ver, literalmente, em apenas cinco minutos. O pior é que a organização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro não teve que fazer isso uma, mas sim duas vezes: no encerramento das Olimpíadas em agosto e menos de um mês depois no fechamento das Paraolimpíadas (que aqui no ETVC eu me recuso a escrever sem o “o”).

Frente a tamanho desafio, é impossível agradar a todos. O resultado no encerramento das Olimpíadas foi uma mistura de clichês (baianas, carnaval, Bossa Nova, índios) com símbolos nem tão pops assim, como Simonal e a Nação Zumbi - destaque e estrelinhas para esse último, porque CHICO SCIENSE sabia das coisas, mas isso fica para outro post.

Demorei dois parágrafos para chegar onde eu queria: analisar os cinco minutos da demonstração de “mundo, isso é o Brasil” no finalzinho do encerramento das Paraolimpíadas de Londres. O vídeo está aí embaixo para quem quiser ir assistindo para acompanhar o meu raciocínio.


Me emocionei demais quando assisti essas apresentações, mais do que com a menção a Sciense um mês atrás. Depois que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, recebeu a bandeira dos Jogos, a festa começou. Aviso: vou me atropelar neste relato com um distanciamento que aprendi nas aulas de Cultura Brasileira (beijo Ju – minha professora) e com um nacionalismo que eu teimo em camuflar, mas que sempre aparece.

A festa brazuca começou mergulhada no conceito “Alegria” e no videozinho com cenas da cidade. De volta ao estádio olímpico, rola uma um funk carioca ritmado com uma letra que não faz sentido pra mim, imagina para os britânicos. Mas dura pouco. Neste momento, CARLINHOS BROWN entra no palco acompanhado de músicos – portadores de deficiência física – vestindo roupas semelhantes a do Olodum.

Brown é o de sempre. Ele dubla “Mega Lenha” e veste roupa branca com um cocar na cabeça. Fico pensando que os gringos devem achar que ele se fantasiou assim só pra participar da cerimônia. Coitadinhos, não manjam nada deste baiano arretado e animado, que durante a apresentação, do nada, é interrompido pelos PARALAMAS DO SUCESSO.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, recebe a bandeira dos Jogos do presidente do Comitê Paralímpico Internacional
Nesse momento aplaudo de pé os organizadores que tiveram essa sacada. Hebert Viana ficou paraplégico depois de um acidente com o seu ultraleve, e junto com a sua banda representou não só os portadores de deficiência motora, mas também o ROCK’N ROLL brasileiro. Claro, que frente ao cânone britânico do estilo ele se apequena, mas, é preciso gritar ao mundo que ele existe (embora concorde que a batida animada de “A Brasileira” certamente não fará os gringos identificarem aquilo como rock...).

Hebert, Bi, João Barone e as dançarinas de frevo (?) que se apresentavam durante a execução de “A Brasileira” – que tem tudo a ver com a ocasião, por sinal - são substituídos por dançarinas de balé e de capoeira. Ai vem a parte questionável dos cinco minutos de show. Vamos lá.

Carlinhos Brown volta ao palco acompanhado da cantora Thalma de Freitas... vestida de Carmem Miranda. Sem as frutas na cabeça, é verdade, mas claramente representando a cantora portuguesa criada para ser um “símbolo nacional”. Eles cantam Caetano Veloso. Uma baianidade só. Caê, Thalma e Carlinhos. Lindo. Pergunto: PRA QUE EVOCAR CARMEM MIRANDA?

Sob o comando de Thalma de Freitas (roupa colorida) e Carlinhos Brown, á esquerda, 'brasileiros' celebram os Jogos
Sim, ela foi um símbolo brasileiro internacional, mas isso faz décadas. Quantas mil outras referências não poderiam ter sido feitas. Se eu começar o papo sobre o simbolismo dela e tal (mais um beijo, Ju) vou acabar me irritando, então, vou pular para as considerações finais – emocionada de novo por ter visto de novo os Paralamas tocando no vídeo -, ok?

Aqueles cinco minutos não são o Brasil. Nem o das Olimpíadas eram. Nem se juntássemos as duas apresentações, os 10 minutos não o seriam. No entanto, o são também. Não vai dar pra definir o que é Brasil, nunca. É preciso vir aqui sentir o sol quente, a água salgada dos mares, a poluição paulistana, o trânsito, o rap, o forró, o reggae e blábláblá. Se cada um dos brasileiros editasse um vídeo de cinco minutos, seria um vídeo diferente para cada.

Sou contra a Copa e as Olimpíadas aqui. Acho absurdo. Mas já que está decidido, agora é olhar pra frente, fiscalizar os gastos públicos e torcer pra dar certo. Porque às vezes – cada vez mais raramente, é verdade – eu me pego a maior das ufanistas, concordando com Afondo Celso sobre o Brasil ser o país do futuro. Mas com uma diferente: eu sei que esse futuro está cada vez mais perto.
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04 junho 2012

Tributo à Legião


- Você pagou para ver o Wagner Moura desafinar? Eu assisti de graça pela TV.
- Pois é, e eu vivi.

Um amigo fez o comentário acima quando descobriu que eu fui uma das oito mil pessoas que compareceram ao Espaço das Américas para acompanhar o segundo show do Tributo à Legião Urbana, organizado pela MTV e que, além de Dado Villa-Lobos na guitarra e Marcelo Bonfa na bateria, contou com o convidado Wagner Moura nos vocais.

Entendo que para quem está olhando de fora as desafinadas do ator devem ter incomodado bastante. Quando digo “quem está olhando de fora” não estou me referindo a quem não esteve no show, mas sim aos que não entenderam o que aquele tributo significou: uma homenagem de fãs a uma banda cujas letras os acompanharam, e acompanham, por toda a vida.

Divulgação/MTV
"A verdadeira Legião Urbana são vocês" (Renato Russo)
Como eu sempre digo, as letras de Renato Russo fazem parte da trilha sonora de diversos momentos da minha vida, e todos eles me passaram pela cabeça durante o show. Essa é uma das coisas que quem está de fora nunca vai conseguir entender. Outra delas é a emoção de ver Dado e Bonfa, que há anos decoram o meu quarto ao lado de Renato, juntos no palco.

Cada música tocada era uma viagem pessoal dos quatro aos meus 21 anos de idade, com direito a lembranças de lugares, pessoas e amores. A penúltima da setlist original, “Pais e Filhos”, foi o ápice da minha emoção. Mas uma grande surpresa ainda estava por vir.

Eu nunca tinha imaginado cantar Faroeste Caboclo em um show. Com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfa no palco, então, era surreal demais para que um dia sequer passasse pela minha cabeça. E inacreditavelmente aconteceu. Alguns dos nove dos minutos mais emocionantes da minha vida.

Quando a plateia começou sozinha a contar a história de João de Santo Cristo, no intervalo, eu já achei sensacional, mas a iniciativa parecia não ter sensibilizado os músicos, que continuavam seguindo o script. No final, quando Wagner Moura chamou os dois legionários de lado e Dado dedilhou os primeiros acordes na guitarra, meu coração disparou.

Não chorei, mas agora tenho vontade todas as vezes que eu lembro. Não chorei, mas fiquei arrepiada durante os nove minutos e cantei forte, alto, com o coração. Uma das minhas músicas preferidas desde os quatro anos de idade lavou a alma da plateia, do tributo e de Wagner Moura, que deu vida à história do sertanejo que tentou ganhar a vida na capital federal.

Eu poderia gravar aquela propaganda de cartão de crédito, cujo slogan é “não tem preço”, falando desse show. Mas ainda assim não conseguiria explicar a importância para os que estão de fora. Afinal, eu não assisti ao show, eu vivi.



20 maio 2012

O troco do assalto

História verídica, mas emprestada do amigo Rodrigo Russo.

Era por volta das seis horas da tarde de um sábado e eu percorria a distância de quatro quarteirões que separavam o local onde estava sendo realizada a Feira do Livro de Suzano, que eu acabara de visitar, e a estação de trem mais próxima. 

O crepúsculo já se acentuava e o céu estava tingido de um laranja que parecia colorir as minhas lembranças do evento, marcado pela palestra e pela conversa com o jornalista Heródoto Barbeiro, com direito à foto de recordação, quando fui surpreendia por um “psiu” masculino vindo detrás de mim, meio à direita da calçada por onde eu andava.

Não olhei, seguindo o padrão estabelecido para evitar espertalhões ou cantadas ridículas. Não olhei, mas o coração disparou. Embora eu já estivesse próxima à estação, o caminho era ermo, e, por isso, a insegurança passou a tomar conta de mim. O “psiu”, antes distante, se aproximou e quando eu percebi, um rapaz de cerca de vinte e cinco anos, moreno e de cabelos pretos estava ao meu lado anunciando um assalto.

- Escuta aqui, eu acabei de sair da cadeia, não quero confusão. Eu tô armado, mas espero não precisar usar com você. Eu já abordei um cara ali em cima que me deu problema. Só quero saber: Quanto você tem na carteira?

Ele disse tudo isso antes mesmo que eu tivesse me recuperado do susto. Agindo por impulso, coloquei as sacolas com os livros recém-adquiridos no chão e peguei a carteira no bolso interno da minha bolsa. Tirei de lá todo o conteúdo: quarenta reais divididos em uma cédula de vinte e duas de dez e passei imediatamente para ele.

O assaltante pegou as notas na mão e passou a me observar guardando novamente a carteira na bolsa e ajeitando as sacolas caídas no chão. Foi então que, para a minha total surpresa, ele acrescentou:

- Nossa, quanta sacola. Você tem jeito de ser estudiosa e deve precisar de dinheiro pra chegar em casa. Você vai pegar o trem? De quanto precisa pra voltar?

Entrada principal do Salão do Livro de Suzano
(Crédito: Rodrigo Russo)
Respondi, sem saber onde aquela conversa me levaria, o primeiro valor que me veio à cabeça.

- Cinco reais

O ladrão então tirou um maço de reais do bolso e contou o dinheiro, passando as notas da mesma forma que fazem os caixas nas agências bancárias.

- Não tenho nenhuma nota de cinco. Vamos ali na padaria para eu trocar pra você

Hesitei. Para chegar à padaria eu precisaria retornar alguns metros na rua, ficando ainda mais distante da estação. Ele percebeu a minha cautela.

- Qual é, mina, você acha mesmo que eu vou te sacanear agora?

Sim, eu achava, afinal, ele era um criminoso, mas preferi não prosseguir a discussão e apenas o acompanhei. Ele entrou no local, foi direto ao caixa, deu uma nota de dez reais, provavelmente a mesma que minutos antes estava quentinha na minha carteira, e recebeu duas notas de cinco. Uma ele guardou no bolso e a outra ele me mostrou, com um sorriso nos lábios.

- Tá aqui, mina, vai com Deus. Agora está tudo certo entre a gente, né? - ele disse ao me entregar a nota roxinha.

O sorriso, que normalmente não sai do meu rosto, foi espontâneo e natural, um paradoxo ao que se passava na minha cabeça. Será que eu deveria agradecer por ter dinheiro pra voltar pra casa, ou lamentar pelos trinta e cinco reais perdidos?

O meu lado Poliana falou mais alto e eu preferi acreditar que os trinta e cinco reais, valor de um bom livro, não eram nada perto da história que eu acabara de viver e que talvez não encontrasse em livro algum.

12 fevereiro 2012

Ele merece todos os clichês. Gênio.

-
Considero muito difícil a tarefa de falar sobre Machado de Assis sem cair no clichê de chamá-lo de gênio, de classificar a sua obra incrível ou colocá-lo no top três dos escritores brasileiros. Entretanto, tenho a obrigação de reverenciá-lo, não só como leitora, mas, principalmente, como pessoa que escreve.

A escolha de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” para a lista de leituras obrigatórias para a FUVEST 2013 me despertou o interesse em reler a obra. Comprei o livro e descobri que na verdade eu não o tinha lido por completo, ou se li, não guardei nada, porque a cada capítulo tive uma surpresa diferente. Melhor assim.


"Colega", Machado de Assis trabalhou nos principais
jornais brasileiros entre os séculos XIX e XX

Como apreciadora das figuras de linguagem, me deliciei com expressões como “dente do ciúme”, “diabrete angélico” e “a morte que batia a asa eterna”, entre outras, que apareceram entre as 209 páginas. 

Normalmente não concordo com citações fora de contexto, acho que perdem a força, sobretudo se tratando de prosa, mas separei algumas passagens do livro que me chamaram a atenção e que servem para dividir com vocês a genialidade de Joaquim Maria Machado de Assis:
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  • “Gastei trinta dias para ir do Rossio Grande ao coração de Marcela, não já cavalgando o corcel do cego desejo, mas o asno da paciência, a um tempo manhoso e teimoso”. (Capítulo 15).
  • “Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes”. (Capítulo 27).
  • “A razão não podia ser outra senão o momento oportuno. Não era oportuno o primeiro momento, porque se nenhum de nós estava verde para o amor, ambos o estávamos para o nosso amor, distinção fundamental. Não há amor possível sem a oportunidade dos sujeitos” (Capítulo 56).
  • “Crê em ti, mas nem sempre duvides dos outros” (Capítulo 119).
Pra finalizar, admirei todos os pensamentos e conclusões geniais do escritor escondidas por trás do defunto-escritor e que, ainda hoje, 130 anos depois, podem ser observados no nosso cotidiano.

Porque eu duvido que alguém nunca tenha sentido o pensamento pular de um lado para outro que nem peteca ou que não tenha se rendido, ao menos uma vez, à filosofia das folhas velhas.
 
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08 janeiro 2012

Metonímia sociológica

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...são estratégias que o escritor pode aplicar no texto para conseguir um efeito determinado na interpretação do leitor...

Se a vida fosse uma prova de português, muita gente ficaria com zero nesta questão. O uso errado de uma figura de linguagem pode causar falhas que prejudicarão a interpretação correta do texto. 

Aqui temos texto como uma sequência de palavras – ou de atos expressos em palavras – que podem ser entendidos por um determinado grupo de pessoas em uma situação específica. 

No texto ao qual me refiro nas entrelinhas, uma sinédoque foi utilizada inadequada e equivocadamente. Admito que o uso da metonímia na vida pode facilitar a nossa relação com as pessoas, principalmente em relação à assimilação e aproximação, mas é preciso ter cuidado. 

A sinédoque, como ramificação metonímica, pode causar julgamentos parciais e conduzir a conclusões inverídicas. Se anexa então a pessoas brincantes, as conquências podem ser ainda mais profundas e atingir níveis só contemplados antes na ficção, causando surpresa, perplexidade e, claro, irreverência.

Aliás, “diga-me com quem andas que eu te direi quem és” é um bom exemplo de sinédoque sociológica. Você é aquilo que todos os com quem você anda são – a parte pelo todo (ou o todo pela parte).

Atenção: Antes de dizer quem é pelo simples julgamento de com quem anda, é imprescindível que investiguemos se, de fato, os caminhos por onde andam são os mesmos.

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15 setembro 2011

Um post #Mimimi

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* É neste momento que aparece aquele conflito: não saber se o aperto no peito que se sente nos sábados à noite e nas manhãs frias – aquelas em que tudo o que você deseja é um abraço – é saudade dele ou saudade de estar com ele.

* Não acho que o amor nasça apenas da convivência, mas sei que ele não surge do nada e que só se manifesta quando duas pessoas apaixonadas, e dispostas a se entregar, se conhecem sem edição.

* Será que a carência justifica? Será que encostar a cabeça em outro peito e sentir outras mãos fazendo cafuné esquentaria o coração do mesmo jeito? Eu não sei. Nem sei se um dia vou descobrir.

• E depois vêm as lembranças, os pequenos detalhes e os signos assimilatórios que só você conhece. E, de repente, o mundo parece estar conspirando para que “ele” não saia da sua cabeça. No trabalho, na sala de aula, no restaurante e até na banca de jornal. Até o seu chiclete favorito vira fã dele.

Duvido que você nunca tenha refletido sobre isso, afinal, é sempre assim!

Créditos imagem: http://www.muraldavila.com.br/noticias/arrumando-o-coracao-5197.html

PS: Fragmentos de um desabafo a papel e caneta que rendeu duas laudas em cerca de 10 minutos.
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24 maio 2011

Poema intrometido com remetentes certos (e eternamente anônimos)

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Eu gosto de política
Porque ela é feita por pessoas
E as pessoas me fascinam

Pessoas têm sentimentos
E os sentimentos mudam tudo

A gente nem quer sentir, mas sente
A gente não quer pensar, mas pensa
Pensa porque sente

E não deixa de sentir por não pensar
Mesmo se conseguisse
Mesmo que quisesse

Mesmo se ele(a) te quisesse
Quisesse sentir, pensar, conseguir
Conseguir querer
Te querer

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18 maio 2011

Das coisas inexplicáveis da vida

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Eu não sei por que sinto que tudo sempre caminha para o lugar certo. Eu nem mesmo sei se esse local existe. Muito menos sei dizer se o certo existe. Bobagem, é certo que o quê é certo existe. Existe para todo mundo, mas não é o mesmo de todos. O certo é relativo e nem um pouco relativamente atrativo: a atração é total! Atrai tanto que muitos não fazem outra coisa da vida senão correr atrás dele e esquecem-se de viver (porque a vida não é o certo). Ao contrário, é pelas incertezas que vivemos; se tivéssemos certeza de tudo, não teria graça, não teria atrito, não teríamos brigas, nem discussões, nem confrontos, nem motivo pra pensar em defesas de pontos de vista, muito menos diferenças; não teria aperto de mão, e nem sorrisos, e também não abraços. Beijos de desculpa? Aqueles mais gostosos e cheios de afeto? Not. Gente diferente pensando diferente fazendo a diferença pra termos um mundo diferente. E eu aqui. Querendo. achar explicações.  Achar. o certo. Me achar. Justo. eu que me acho. inexplicavelmente diferente. e incerta. Vai. Entender. Vai ME entender...


... e se conseguir, me conte ;D
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27 abril 2011

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Uma daquelas frases que surgem do nada tentado nos dizer tudo:

"Não há nada errado em desistir da realidade.
São os sonhos que não podem ser deixados para trás"
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20 abril 2011

Nem todo presente é bem-vindo

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Na semana passada quando assisti Elefante (EUA, 2003 – Direção de Gus Van Sant) várias coisas me passaram pela cabeça. O ritmo lento do filme e os retalhos que são apresentados e que formam uma colcha após os 81 minutos do longa nos dão um bom tempo para reflexão.

A escola é uma das poucas instituições pelas quais todas as pessoas passarão um dia e durante a mesma fase da vida. Não importa quais sejam os lugares, cidades ou estruturas, o sentimento em relação ao termo ‘escola’ traz sempre muitas lembranças (boas ou ruins).

Deu pra reconhecer rostos familiares em cada um daqueles grupinhos apresentados: das minhas amigas que levavam estojos de maquiagens para as salas de aula ainda na pré-adolescência à nerd, que no meu caso era um menino a quem eu chamava carinhosamente de Watson, em referência ao companheiro do mais famoso detetive da literatura inglesa.

O filme deixa explícito o que muitos pedagogos tentam explicar aos pais que querem alfabetizar seus filhos em casa: na escola eles não aprenderão apenas Português, Matemática ou Ciências Sociais, mas também, e principalmente, aprenderão a conviver em sociedade e a respeitar regras.

Os conflitos sociais e psicológicos começam a surgir, no filme e na vida, quando alguns alunos percebem que além da instituição eles também podem estabelecer, paralelamente, as suas regras. Assim são formados os grupinhos, panelinhas e irmandades. Quando alguém não se encaixa em alguma delas, sente-se rejeitado pelo meio e é esta a principal questão que dá razão ao filme.

Foi essa sensação que levou os dois meninos a planejarem e executarem assassinatos em massa no colégio onde estudavam. Um presente incômodo e indesejado às pessoas que os rejeitaram a vida toda. Uma coisa enorme e incomum que não serviu para nada, porque matar as pessoas não apagou as lembranças das palavras e gestos de rejeição um dia sofridos. O ato foi um elefante. Branco.
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07 março 2011

Nem oito nem 80

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Longe de mim defender o Carnaval. Como roqueira chata que sempre tive orgulho de ser, a festa do samba, do frevo, do forró e de tantos outros ritmos ‘tipicamente brasileiros’ pra mim não passa de mais um feriado nacional.

 

Este editorial, lido pela jornalista paraibana Rachel Sheherazade, pipocou diversas vezes na minha timeline nos últimos dias, vídeo compartilhado por diversas pessoas. Assisti. Não tem como discordar da visão dela, mas se ela estava criticando o paradigma de que o Carnaval é uma festa popular, acabou apenas criando outro dizendo que o Carnaval é uma festa para ricos. Não, nem oito nem 80.

As grandes verdades
1ª) Ela diz que o Carnaval não é uma festa genuinamente brasileira por ter surgido na Europa. Seguindo essa linha de raciocínio o Brasil também não é o país do futebol. 2ª) O Carnaval é uma festa dos ricos, não é uma festa popular. Bom, então se julgarmos só pelo fato de existirem locais que cobram caro por suas festas nenhuma será popular. Nem o Natal.

Pão e Circo
Ela diz com propriedade “milhões de reais são gastos para garantir o circo à população que não tem se quer o pão”, a referência está perfeita e é isso mesmo, o Governo proporciona diversão a população para que não se preocupem com ‘as coisas sérias’, foi assim na Roma antiga e não evoluímos muito. Está errado? CLARO que está! Mas essa é uma questão muito distante do Carnaval...

Bandas
Quanto aos artistas cobrarem por suas apresentações, o que tornaria a festa menos popular, não preciso nem comentar, né? Ou será que ela está lendo esse editorial de graça, paga apenas pelo bem moral que está fazendo ao público ao lhes abrir os olhos para ‘o verdadeiro Carnaval’? Não, não está. Ninguém trabalha, nem deve trabalhar, de graça.

A música
Ela se indigna com a boa música sendo calada por hits do momento. Parece que é uma ação automática à chegada do Carnaval e que não acontece em outras épocas do ano. Balela. Hits ridículos tocam o ano todo e por um só motivo: porque as pessoas gostam!

Segurança e saúde
Não vejo qual o absurdo em ambulâncias trabalharem nos locais da festas de Carnaval. Se há concentração de gente, a probabilidade de acidentes é grande. O sistema de saúde brasileiro também está longe de ser razoável, mas se essas unidades de emergência não estivessem presentes nessas áreas o problema seria muito maior. O mesmo se aplica à segurança.

Economia
Contra fatos não existem argumentos: a renda dos comerciantes ambulantes aumenta em dias de festa, pois há uma maior circulação de pessoas pelas ruas. Isso não quer dizer que os ambulantes não trabalham o resto do ano ou que é uma maravilha que resolve todos os problemas, é só um fato que não deveria ser tratado como absurdo.

Resultados da festa
As pessoas só bebem, transam sem camisinha e engravidam no Carnaval. Só no Carnaval. Hipocrisia.

Como conclusão, acho que valeu pela lembrança de que nem tudo é festa no Carnaval. Mas também, reitero, não é o absurdo pintado por este editorial. Num próximo post escrevo as minhas impressões sobre a festa, já que neste apenas refutei os argumentos da minha colega paraibana. Essa mania de jornalista achar que pode falar com propriedade sobre tudo é um problema...
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