07 novembro 2010

Sobre "Bola de Neve"

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Acabei de reler o texto que eu escrevi e publiquei aqui sobre o livro O Símbolo Perdido, de Dan Brown. Percebi que o último parágrafo pode ter ficado um pouco confuso, porque eu misturei algumas influências sem esclarecer de onde elas saíram.

Ao falar em “jogar pérolas aos porcos” com a esperança de que algum deles se torne “um Bola de Neve” eu me referia ao porquinho mais esperto, e do bem, do livro A Revolução dos Bichos, clássico do grande George Orwell.

Li essa fábula moderna aos 15 anos e a compreensão que eu tenho até hoje dos regimes de governo em muito corrobora com a visão exposta no livro. Deixo essa dica de leitura. E lembre-se: qualquer semelhança com o que vemos hoje no Brasil, e no mundo, é mera coincidência. Ou não.
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04 novembro 2010

Ser panela sendo tampa

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Por esses dias lembrei de um pensamento da infância: eu tinha plena convicção de que todos nós possuíamos uma alma gêmea, a tampa da nossa panela, alguém já pré-definido antes do nosso nascimento, com quem nos encontraríamos aqui na Terra e ao lado de quem seriamos felizes.

Eu considerava, muito seriamente, que só haveria um homem que uma mulher amaria de verdade e vice-versa. Por isso, quando assistia nas novelas casos de triângulos amorosos, ficava sem entender... Por que aquela mulher insiste em ficar com o Juvenal se ele já é casado, e amado, pela Janaina?

Precisou a adolescência chegar para eu me dissuadir dessa verdade tão insipiente. Pensei, observei e entendi. Talvez haja mesmo algum pré agendamento celeste para questões do coração, mas quem disse que os seres humanos gostam de respeitar regras?

Hoje eu sei que se apaixonar pela tampa da panela do vizinho não é nenhum absurdo. Absurdo seria uma panela ter encaixe pra duas tampas.

Não adianta querer achar razão para o coração nem mesmo fazê-lo entender que há o certo e o errado. Não há anel de metal, papel assinado ou palavra dita diante de figuras simbólicas que contradigam o valor de um olhar, de um sorriso ou de um abraço.

Certo dia, me disseram que os humanos ainda não conseguiram superar as questões emocionais. Isso é verdade. A paixão domina como nenhum outro sentimento, a ponto de cegar. É tão irresistível e tão grande que não há quem seja capaz de atirar a primeira pedra por já não ter feito uma loucura apaixonada...

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31 outubro 2010

Hoje, caí de paraquedas num sarau na Biblioteca de São Paulo e adorei a experiência. Um dos poemas recitados foi "Moda do Corajoso" do brilhande Mário de Andrade. Não o conhecia, e meus olhos encheram-se de lágrimas ao ouvir os versos que muito sabiam dos meus sentimentos.

Divido com vocês o poema que me emocionou. A sensatez e a lucidez do poeta são o que mais me impressiona. É tudo verdade. (Principalmente a parte que diz que em 5 meses a paixão será arquivada...)

Moda do Corajoso  

(Mário de Andrade)

Maria dos meus pecados...
Maria, viola de amor...

Já sei que não tem propósito
Gostar de donas casadas,
Mas quem que pode com o peito!
Amar não é desrespeito,
Meu amor terá seu fim.
Maria há-de ter um fim.

Quem sofre sou eu, que importa
Pros outros meu sofrimentos?
Já estou curando a ferida.
Se dando tempo pro tempo
Toda paixão é esquecida.
Maria será esquecida.

Que bonita que ela é!... Não
Me esqueço dela um momento!
Porém não dou cinco meses,
Acabarão as fraquezas
E a paixão será arquivada.
Maria será arquivada.

Por enquanto isso é impossível.
O meu corpo encasquetou
De não gostar sinão duma...
Pois, pra não fazer feiúra,
Meu espírito sublima
O fogo devorador.
Faz da paixão uma prima,
Faz do desejo um bordão,
E encabulado ponteia
A malvadeza do amor.

Maria, viola de amor!...

02 outubro 2010

Voto de protesto: contra o quê?

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A cada eleição cresce o número de candidatos conhecidos pela população, mas de ambientes muito distintos da política. São cantores, atores, jogadores de futebol, dançarinas e até humoristas, que surgem tentando uma vaga em uma área que profissionalmente desconhecem.

Discutir política no Brasil, um pais que comprou a sua independência e que dá mais valor ao Carnaval do que à educação, é complicado. O voto é obrigatório e grande parte do eleitorado não enxerga uma relação direta entre o que escolhe nas urnas e uma melhoria efetiva em sua qualidade de vida.

Mesmo entre quem possui um grau aceitável de instrução é difícil encontrar alguém que saiba detalhadamente quais as obrigações e a área de atuação de um político, sobretudo no âmbito legislativo. Assim, o que chega ao conhecimento do público são apenas os escândalos que são noticiados pela imprensa. Os projetos de lei, de emendas parlamentares e sanções discutidos diariamente na Câmara e no Senado, raramente vêm a público.

“Nenhum político presta” e “Eles só pensam em dinheiro” são frases amplamente repetidas, principalmente em época de eleições. Mas mesmo que essa generalização fosse verdade, protestar votando em uma pessoa despreparada chega a ser um contra-senso, pois por mais boa vontade que se tenha, o que a levou a essa aventura? É utópico pensar que algum dos candidatos famosos esteja lutando por um Brasil melhor e não atrás do salário e benefícios que a vida pública traz e que não são poucos.

Embora qualquer cidadão, brasileiro e maior de idade, possa se candidatar, isso não garante que ele saiba o que fazer quando eleito. Os “políticos de carteirinha” pelo menos possuem experiência e formação teórica especifica para exercer o cargo ao qual estão, mais uma vez, concorrendo.
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11 setembro 2010

Edy é Star

Com plumas, paetês, lantejoulas e muita animação,
cantor baiano continua brilhando aos 72 anos

No palco, com o 3º figurino
    Ele nasceu Edivaldo Sousa, na Bahia, em 10 de janeiro de 1938. Hoje, aos 72 anos, é reconhecido internacionalmente como Edy Star, cantor, ator, dançarino, produtor e artista plástico. Sua carreira polivalente teve início nos anos 1960 no seu estado natal. Mesmo local onde conheceu Raul Seixas, amigo que também admirava Elvis Presley e com quem, anos mais tarde, e com mais dois amigos, gravaria o épico LP: “Sociedade da Grã Ordem Kavernista apresenta: Sessão das dez”.
  
Em 2010, de volta ao Brasil após 15 anos vivendo na Espanha, Edy Star é ovacionado pelos fãs de carteirinha de Raul Seixas. Sua apresentação na Virada Cultural 2009 foi considerada a melhor do palco “Toca Raul”, fato que lhe rendeu convite para repetir a apresentação em 2010. Edy voltou então ao Brasil e pretende continuar por aqui, morando em São Paulo: “Se Raul conseguiu, eu também consigo”, brinca.
 
No último sábado, ele se apresentou na Galeria Olido, no centro da cidade. No mesmo formato do show executado na Virada Cultural 2010: “Sociedade Kavernista Toca Raul”, ele é acompanhado pela banda “Caverna Guitar Band”, duas back vocals e pelo baixista Lu Stopa.
  
Com a platéia lotada, sobretudo por fãs de Raul Seixas que idolatram também Edy por ele ser o “último kavernista” vivo, o show começou sem ele no palco, e após a execução de uma música na voz do guitarrista Caverna, as luzes do teatro iluminaram a platéia e lá, com microfone na mão, cabelos negros encaracolados esvoaçantes e com um lenço no pescoço, vemos a estrela: o show começou.
  
Após recitar: “Todo jornal que eu leio, me diz que a gente já era, que já não é mais primavera”, trecho de Baby, música que Raul gravou no fim dos anos 1980, Star corre em direção ao palco e se joga, rolando pelo tablado.
  
Edy se movimenta pelo palco com a segurança de quem sabe o que está fazendo. Durante o espetáculo muitas vezes o ator se sobressai ao cantor e entre uma música e outra deixa os outros músicos sozinhos no palco animando a platéia, enquanto vai ao camarim trocar de roupa para o próximo ato.
  
O lenço com camiseta preta básica é trocado por um terno cinza bordado com lantejoulas brilhantes na gola. Ele agora é um boêmio e canta a seresta que dá nome ao LP famoso “Sessão das Dez”, com direito a performances efusivas e elucidativas.
  
Então, Edy transforma-se no “Moleque Maravilho” citado na próxima música que interpreta. De All Star, calça jeans e camiseta preta de um Fã Clube do Raul, mas sem tirar os colares e pulseiras de strass brilhantes, ele rejuvenesce meio século e vira um adolescente aos olhos da platéia animada.
  
Outras duas camisetas com estampas do Raul seriam utilizadas ainda naquela noite, além de uma camisa de flanela cinza e preta doada a ele pela esposa do cantor e compositor Zé Rodrix, falecido no ano passado, com a qual Edy interpretou “Jesus numa moto”, em sua homenagem.
  
O ato final é marcado por um Edy ainda mais animado e festivo. Com uma blusa de paetês pretos e uma capa branca com o símbolo da Sociedade Alternativa, ele desliza pelo palco feito um super herói, agradece aos presentes, aos músicos e a casa.
 
Após o show, não há segurança nem restrições para entrar em seu camarim. Lá, mesmo cansado e ainda trocando de roupa, ele recebe os fãs, em sua maioria já conhecidos e até já considerados amigos. Atende pacientemente a todos os pedidos de fotos, brinca com os presentes, abraça um menino e diz que vai levá-lo para a Espanha e apresentá-lo como seu noivo: “Lá na Espanha não falamos namorado, dizemos que é nosso ‘noivo’”, brinca o bem humorado cantor baiano.
 
A noite dele só terminaria horas mais tarde, em um bar ali mesmo no centro da cidade, numa mesa com as mesmas pessoas que participaram do show, mas agora sem distinções entre público e platéia. Assim como um rei que nunca perde a majestade, Edy é numa estrela que nunca deixará de brilhar.

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